A mulher com fluxo de sangue: vá em paz e fique livre do seu sofrimento!

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Esta é uma história que até tem espaço nos púlpitos, mas que merece uma conversa muito mais aprofundada. Quando uma discussão como essa acontece em espaços mais intimistas, com um número reduzido de pessoas, há segurança e acolhimento para expor questionamentos, trocar experiências e construir novos conhecimentos no coletivo – falas que não seriam trazidas à luz em um contexto de sermão expositivo, por exemplo.

Neste Estudo Bíblico Indutivo vamos falar sobre a mulher com fluxo de sangue. Essa história acontece durante o ministério de Jesus e é relatada em três evangelhos diferentes – a saber, Mateus (9.20-22), Marcos (5.25-35) e Lucas (8.43-48).

Por questões de detalhamento, optamos por analisar o relato no livro de Marcos, mas você pode propor ao grupo a leitura e comparação dos três textos. Se quiserem dar mais um passo, façam a leitura também em Bíblias com linguagens diferentes.

Vamos ao texto?

Marcos 5 – [Nova Versão Internacional]

25
E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de hemorragia. 26 Ela padecera muito sob o cuidado de vários médicos e gastara tudo o que tinha, mas, em vez de melhorar, piorava. 27 Quando ouviu falar de Jesus, chegou por trás dele, no meio da multidão, e tocou em seu manto, 28 porque pensava: “Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”. 29 Imediatamente cessou sua hemorragia e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento. 30 No mesmo instante, Jesus percebeu que dele havia saído poder, virou-se para a multidão e perguntou: “Quem tocou em meu manto?” 31 Responderam os seus discípulos: “Vês a multidão aglomerada ao teu redor e ainda perguntas: ‘Quem tocou em mim?’ ”. 32 Mas Jesus continuou olhando ao seu redor para ver quem tinha feito aquilo. 33 Então a mulher, sabendo o que lhe tinha acontecido, aproximou-se, prostrou-se aos seus pés e, tremendo de medo, contou-lhe toda a verdade. 34 Então ele lhe disse: “Filha, a sua fé a curou! Vá em paz e fique livre do seu sofrimento”.

Perguntas disparadoras

  1. Releia o texto com atenção e responda: o que sabemos sobre esta mulher?

  2. Quais foram as semelhanças e diferenças entre os relatos dos três evangelhos? O que te chamou mais atenção em cada um deles?

  3. No versículo 29“(…) e ela sentiu em seu corpo que estava livre do seu sofrimento” – o alívio da mulher parece ser, ao mesmo tempo, físico e emocional. Como você descreveria esse sentimento? Você já passou por uma situação semelhante? Caso se sentir à vontade, compartilhe com o grupo.

  4. Ainda refletindo sobre esse versículo, responda: a palavra ‘sofrimento’ parece ser usada de maneira literal ou simbólica? O que você compreende como esse sofrimento do qual a mulher foi libertada?

  5. O versículo 33 conta que a mulher estava “tremendo de medo” de contar a verdade. Por que você acha que ela se sentiu assim? O que você faria no lugar dela?

  6. Segundo o texto, Jesus diz à mulher que “(…) sua fé a curou!”. O que essa fala significou naquele contexto? Como ela chega hoje ao seu coração?

  7. Leia Levíticos 15.19-27. Com base nesse texto, responda: Quais eram as implicações práticas para a vida de uma pessoa que sofria com hemorragia naquela  época? O tratamento mudava quando era uma mulher sofrendo com essa condição?

  8. Durante o período menstrual, a mulher era vista como potencial fonte de contaminação. Por isso, as pessoas evitavam tocar em uma mulher ou em qualquer objeto que ela tivesse tocado antes. Até hoje há um estigma negativo sobre a menstruação – em que ela é vista como sinônimo de ‘sujeira’. Como você enxerga essa relação? Você acha que esse olhar negativo afeta o seu ciclo menstrual de alguma maneira? Compartilhe com o grupo.
  9. Imagine como a mulher do texto era tratada pela sociedade. Por conta de sua hemorragia contínua, foi considerada impura durante 12 anos – tendo seu contato com outras pessoas muito limitado e sendo impedida de ir ao templo. A Igreja de Jesus não exclui ou isola ninguém – mas, mesmo assim, continuamos condenando e segregando pessoas com base em julgamentos “justificados” por argumentos bíblicos. Por que você acha que isso ainda acontece? O que, como filhas e discípulas de Jesus, podemos fazer para evitar ou enfrentar situações como essa?

  10. Vamos fazer um exercício criativo. Se essa história acontecesse nos dias atuais, como se daria essa nova narrativa? Reescreva o texto contextualizando a época, o local, os personagens e as falas.

Essa história apresenta o retrato de uma instituição que exclui, fere e deixa de lado – em nome de uma religiosidade extrema. A mulher com fluxo de sangue, para além de sua condição de saúde, sofreu muito com o preconceito e a discriminação da sociedade. Foi julgada e tratada como impura por 12 anos, teve seu direito de ir e vir lesado, mas ela sabia que o encontro genuíno com Jesus poderia libertá-la do sofrimento. Ela enxergou isso e, em um ato de coragem, estendeu o braço para tocar nas vestes do nazareno. Sua compreensão de que Ele é o Caminho a livrou do sofrimento de uma vida às margens. Só o encontro verdadeiro com Jesus pode nos transformar e libertar do peso da religião.

Como a igreja-instituição pode se aproximar cada vez mais da Igreja de Jesus? Como nós, filhas e discípulas de Jesus, temos nos posicionado diante de situações de exclusão e discriminação? Vamos orar por todas as irmãs e irmãos em Cristo, que têm sido vítimas dessa violência institucional tão sutil e poderosa. Que nós possamos acolher, abraçar e incluir a todas, todos, todes – independente de quem são, como estão e de onde vieram. Amém.


Jéssica Rezende, em constante crise com a igreja-instituição. Entende que Deus é e está em muito mais do que a religião apresenta. Escreve sobre isso nas horas vagas.


O conteúdo e as opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade de sua autora e não representa a posição de todas as organizadoras e colaboradoras do Projeto Redomas. O objetivo é criar um espaço de construção e diálogo.

Revisão: Talita Rocha

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