Transcrição Redomascast 25 – Sojourner Truth #OPodecastÉDelas2019

0 Flares 0 Flares ×

Para acessar o programa em áudio, clique aqui.

 

Sejam bem vindas e bem vindos a mais um Redomascast, eu sou Luciana Petersen e esse é um dos episódios especiais do mês da mulher, no Projeto Redomas. Esse programa é no formato de contação de história e eu recomendo que você utilize um fone de ouvido para perceber melhor os efeitos sonoros. Se você gostar desse programa, compartilhe nas suas redes sociais, com as amigas e amigos, manda no zap da família. Considere também contribuir financeiramente com o Projeto Redomas no Catarse, nossa plataforma de financiamento coletivo. A partir de 5 reais você nos ajuda a pagar os custos de manutenção do site e do podcast. O link pra nos ajudar está na descrição desse episódio e na aba “apoie” do nosso site, que é projetoredomas.com.

No episódio de hoje, vamos contar a história de Sojourner Truth, uma ativista e pregadora negra estadunidense, famosa por seu discurso “Ain’t I a Woman?” ou “Eu não sou uma mulher?”. Talvez você já tenha lido um texto que publicamos sobre ela no redomas na campanha de março de 2018, mas achamos que é uma história que vale a pena ser retomada, agora em um formato diferente e com alguns detalhes a mais. Então, senta que lá vem a história.

Sojourner Truth foi uma mulher negra, abolicionista, pregadora itinerante pentecostal e ativista pelos direitos das mulheres e das pessoas negras nos Estados Unidos. Ela é considerada uma das precursoras do que viria ser o feminismo negro e dedicou sua vida pra fazer valer o significado do nome que recebeu do Espírito Santo. Sojourner Truth, a peregrina da verdade.

Nascida no ano de 1797 em Rifton, Nova Iorque, Sojourner Truth respondia pelo nome de Isabella Baumfree. Seu pai, James Baumfree, foi sequestrado em Gana para ser escravizado e sua mãe, Elizabeth Baumfree, era filha de pais sequestrados da Guiné. Eles foram escravizados pelo coronel holandês Johannes Hardenbergh e viviam em uma cabana dentro da propriedade dele. James e Elizabeth tiveram 13 filhos, 11 deles foram vendidos para serem escravizados em outras fazendas e sua família nunca mais os viu. Os únicos que cresceram perto dos pais foram Isabella e seu irmão mais novo, Peter.

Quando Isabella tinha 9 anos, o coronel que escravizava sua família morreu. Seu filho, e herdeiro de suas propriedades, separou a família e vendeu Isabella em um leilão. O pacote que foi arrematado incluia Isabella e um rebanho de ovelhas, por 100 dólares.

Sozinha aos 9 anos, ela foi levada para a casa de John Neely, um homem inglês. Mas até o momento, Isabella só conhecia língua holandesa, os costumes holandeses e o jeito holandês de arrumar a casa, por exemplo. Ela mal falava inglês e isso irritava muito a família Neely. Então eles batiam nela toda vez que ela não entendia o que tinha que fazer. E a maltratavam constantemente só porque podiam, porque ela era negra e escravizada.
Isabella foi vendida mais algumas vezes até chegar às mãos de John Dumont.

Durante os anos que foi escravizada por Dumont, ela aprendeu a falar inglês, mas ela nunca, até o fim de sua vida, aprendeu a escrever.

Por volta de 1815, se apaixonou por Robert, um homem negro que era escravizado pelos donos de uma propriedade vizinha. Isabella então engravidou de sua primeira filha, Diana. Mas o dono de Robert proibiu que o relacionamento continuasse, porque os filhos que ela gerasse seriam de propriedade de Dumont, o dono da mãe da criança, Não ia ser financeiramente rentável para ele. Isabella e Robert continuaram a se ver até o dia em que foram pegos e Robert foi severamente punido. Depois disso, os dois nunca mais se viram.

Isabella foi forçada a se casar com Thomas, um homem que também era escravizado por Dumont. Com Thomas ela teve um filho, Peter, e duas filhas, Elizabeth e Sophia. É interessante que todos os seus filhos tinham os mesmos nomes de seus irmãos que foram vendidos.Com o passar dos anos, leis que libertavam alguns negros da escravidão aos pouquinhos iam surgindo e a abolição total no estado de Nova Iorque parecia estar próxima. Dumont prometeu que libertaria Isabella dentro um ano, se ela trabalhasse duro. Ela se dedicou duplamente naquele ano e chegou a perder parte de um dedo de tanto trabalhar. Mas quando chegou a data estipulada ele voltou atrás, alegando que a produtividade dela tava afetada pela mão machucada. Mas na verdade ela tinha trabalhado o dobro, mesmo com a mão machucada.

Ela ficou muito brava e resolveu fugir, e pediu a Deus ajuda para formular um plano de fuga.

Então lhe ocorreu que ela deveria fugir um pouco antes do pôr do sol. Era uma hora que ainda estaria claro para ela ver o caminho e logo seus donos estariam dormindo, provavelmente só iam dar falta dela no dia seguinte.

Então em meados 1826 – meses antes da abolição oficial da escravidão no estado de Nova Iorque – Isabella fugiu de Dumont com sua filha Sophia. Ela conseguiu refúgio com Isaac e Maria Von Wageners, uma família Quaker. Durante a estadia com essa família Quaker, Isabella se converteu ao cristianismo e era incentivada por eles a pregar.

Mas um dia, Dumont apareceu na casa deles pra pegar Isabella de volta. Os Von Wageners diziam que não concordavam com a escravidão, mas se ofereceram para comprar os serviços de Isabella até o final do ano, quando o fim da escravidão seria oficializado no estado. A proposta deles foi de 20 dólares por Isabella, mais 5 dólares por sua filha. Dumont aceitou a proposta e foi embora. Os Von Wageners a consideravam uma mulher “livre”, mas ela fazia serviços domésticos para quitar o débito dos 25 dólares que eles tinham pago por sua liberdade.

Enquanto vivia com os Von Wageners, ela descobriu que seu filho Peter, que já era livre, havia sido vendido ilegalmente a um homem do Alabama, estado onde ainda existia escravidão. Isabella levou a questão ao tribunal e se tornou a primeira mulher negra dos Estados Unidos a levar – e vencer – um processo legal contra um homem branco. E recuperou a guarda do filho.

Em 1829, retornou à Nova Iorque com Peter. Eles se estabeleceram no lugar e Peter resolveu se tornar marinheiro, um dos poucos trabalhos disponíveis para homens negros libertos na época. Meses depois, ele desapareceu e sua mãe nunca mais ouviu falar dele.

Isabella passou a trabalhar como empregada na casa da família de Elijah Pierson, um evangelista cristão que também se tornou um colega de ministério de Isabella.

Durante esse tempo, se envolveu com diversas igrejas, negras e brancas, missões e organizações sociais como a Magdelene Society, uma organização Metodista que se dedicava ao auxílio de ex-prostitutas da cidade. Durante esse período, também começou a pregar, num estilo que as pessoas à sua volta consideravam muito marcante. Para se sustentar, Isabella trabalhou como empregada doméstica em mais algumas casas, uma das únicas profissões disponíveis para mulheres negras libertas.

Em 1832, conheceu Robert Matthews, um homem que se considerava profeta e dizia ser o novo portador do espírito de Jesus. Isabella achava que ele era um genuíno discípulo de Jesus, inclusive na aparência, acreditou no que ele dizia e na vida piedosa que demonstrava. Ela entrou para sua comunidade religiosa, a “Kingdom of Matthias”, que pode ser considerada uma seita.

O profeta Matthias declarava ter recebido o espírito de Jesus e do Pai. Acreditava que sua lei era superior às leis humanas, por isso se envolvia em diversos escândalos sexuais e incentivava os homens da religião a compartilharem suas esposas com ele.

Isabella era a única mulher negra do grupo religioso e não compactuava com o compartilhamento de esposas, mas permaneceu lá por 2 ou 3 anos. Ela tinha um relacionamento próximo com os líderes da seita, e viveu na mesma casa que eles, mas nunca foi permitida a pregar ou se expressar abertamente nas reuniões por ser uma mulher negra.

Mas claro que ela ficava com todo o trabalho duro e braçal que precisava ser feito na comunidade. Relatos contam que os líderes percebiam que ela sempre fazia julgamentos e observações para si mesma sobre as doutrinas do grupo e estudos bíblicos, que surpreendentemente para eles se mostravam quase sempre corretos.

Pouco depois de Isabella mudar de emprego, seu ex-chefe Pierson foi encontrado morto e Isabella e o Profeta Matthias foram acusados pelo envenenamento. Os dois foram absolvidos por falta de provas. Mas Matthias foi preso tempos depois por abuso sexual e por jogar uma “maldição divina” no juri durante o julgamento do caso Pierson. Depois de sair da cadeia, o profeta se mudou para o oeste e Isabella nunca mais o viu.

Após abandonar a “Kingdom of Matthias”, Isabella estava decepcionada e convencida de que “nunca mais se deixaria ser iludida novamente”. Sua fé em confiança em Deus se mantinham vivas, embora não soubesse exatamente quem era esse Deus em quem acreditava. Depois de 15 anos vivendo na cidade de Nova Iorque, já aos 46 anos, passou a perceber que aquela cidade era uma verdadeira Sodoma, onde “o rico rouba o pobre, e os pobre se roubam mutuamente”.Depois de várias tentativas de sobreviver na cidade e cumprir a missão para qual acreditava ter sido chamada, se sentia rejeitada pelos brancos e pelos negros que tentava atingir com sua pregação do Evangelho. Foi então que decidiu se tornar uma pregadora itinerante.

Sojouner: “O Espírito me chama e eu preciso ir!”

Embora tenha tido algum contato com missões Metodistas, Isabella provavelmente se tornou uma missionária pentecostal e independente, sem ninguém que a garantisse o sustento financeiro, emocional ou espiritual além de Deus.

Foi em 1º de junho de 1843 que ela teve uma visão em que o Espírito Santo lhe dava um novo nome. Ele lhe deu “Sojourner”, que significa peregrina, pois Deus tinha ordenado que ela viajasse, mostrando o pecado das pessoas e sendo um sinal entre elas. Ela pediu a Deus um segundo nome, pois todo mundo tinha dois nomes, e Ele lhe deu “Truth”, que significa verdade, pois sua missão era pregar a verdade às pessoas.

Sojouner: “Obrigado, Senhor, esse é um bom nome. Tu és meu último mestre, e Seu nome é Verdade.”

Durante suas viagens missionárias, Sojourner Truth se alimentava e dormia onde quer que lhe oferecessem abrigo. Surpreendentemente para ela, normalmente eram os mais pobres que o faziam. Algumas vezes parava em igrejas e pregava, cantava e orava, quando lhe ofereciam a oportunidade.

Quando precisava ganhar algum dinheiro, permanecia na cidade que estava por alguns dias para fazer trabalho doméstico. Não tinha medo de viver daquela maneira. Segundo seus relatos, fez verdadeiros amigos naquele tempo, com quem compartilhava da verdadeira comunhão do Espírito.

Sojourner Truth não compactuava com todas as doutrinas e crenças dos evangélicos que encontrava pelo caminho. Em certo momento, encontrou cristãos que acreditavam que Deus em breve mandaria fogo dos céus para destruir a todos, pois estariam todos amaldiçoados. Ela os acalmou com a mensagem de que, uma vez salvos por Cristo, Deus os pouparia de qualquer maldição. Analfabeta, Sojourner Truth continuava agindo como em Kingdom of Matthias, questionando as doutrinas que chegavam até ela.

Em 1844, conheceu a Associação de Educação e Indústria em Northampton, Massachusetts. Era uma comunidade de aproximadamente 210 pessoas, entre negros e brancos, que tinham ideais de liberdade para mulheres e negros. O grupo vivia em uma fazenda onde plantavam, mantinham um moinho, uma criação de bichos de seda e uma serraria.

Pela primeira vez Sojourner encontrou uma comunidade segura, onde as pessoas não eram supremacistas brancas e todos trabalhavam e eram pagos da mesma maneira, independente de raça ou gênero.

Foi lá que teve contato com abolicionistas famosos como William Lloyd Garrison e Frederick Douglass, e que teve a primeira experiência em ser ouvida, e descobrir que sua voz era tão importante quanto as outras.

Quando a comunidade não podia mais se sustentar, Sojourner Truth foi trabalhar como empregada doméstica para George Benson, cunhado de William Lloyd Garrison. Foi durante esse período que começou a ditar suas memórias para sua amiga Olive Gilbert, produzindo o livro “A Narrativa de Sojourner Truth, uma Escrava Nortista”. Com o dinheiro do livro e conhecimento que adquiriu, conseguiu comprar uma casa e passou a discursar em convenções pelos direitos das mulheres e negros. Conheceu ativistas pelos direitos das mulheres como Elizabeth Cady Stanton and Susan B. Anthony.

Seu discurso mais famoso “Ain’t I a Woman?”, foi pronunciado na Convenção dos Direitos da Mulher de Akron, Ohio, em 1851. Era uma convenção realizada em uma igreja e entre religiosos para debaterem os direitos das mulheres, em especial o sufrágio feminino. Entretanto, a igreja onde ocorria o evento foi invadida por um grupo de zombeteiros que enfatizavam a supremacia masculina.

Sojourner Truth foi responsável por salvar a convenção, foi a única a conseguir responder os ataques agressivos e refutar os argumentos. Enfatizando a intersecção entre gênero, raça e classe, sempre com ironia. Truth derrubou a lógica de que a fraqueza feminina impedia as mulheres de serem dignas de votar.

“Sei que vocês sentem comichões e vontade de vaiar quando veem uma mulher negra se levantar e falar a respeito de coisas e dos direitos das mulheres. Nós fomos tão rebaixadas que ninguém pensou que iríamos nos levantar novamente; mas já fomos pisadas por tempo demais; vamos nos reerguer, e agora eu estou aqui.”

Maaas as mulheres brancas feministas presentes no evento temiam que ela trouxesse argumentos abolicionistas para a convenção, que para muitas delas não eram tão importantes quanto a questão da mulher e do sufrágio feminino (branco). Segundo Angela Davis, “ao repetir sua pergunta, ‘Eu não sou uma mulher?’, nada mais do que quatro vezes, ela expunha o viés de classe e o racismo do novo movimento de mulheres”.

Segundo Frances Dana Gage, a ativista que deu a palavra a Sojourner Truth durante a convenção:

“As líderes do movimento tremeram ao ver uma mulher negra alta, magra, usando um vestido cinza e um turbante branco sob um chapéu rústico, que se dirigia de forma decidida para o interior da igreja, caminhando com ar de rainha pela nave, sentando-se aos pés do púlpito. Um burburinho de desaprovação foi percebido em todo o salão, e ouvidos apurados escutaram: ‘Coisa de abolicionista!’, ‘Eu avisei!’, ‘Vai, negra!’.”

Foi com esse discurso que a peregrina negra da verdade entrou para a história como uma das precursoras do que viria a ser o feminismo negro.

Bom, crianças… onde há muita algazarra alguma coisa está fora da ordem.

Eu acho que com essa mistura de negros do Sul e mulheres do Norte, todo mundo falando sobre direitos, o homem branco vai entrar na linha rapidinho.

Mas sobre o que todos aqui estão falando?

Aquele homem ali diz que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, que devem ser carregadas para atravessar valas, e que merecem o melhor lugar onde quer que estejam.

Ninguém nunca me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, e nunca me ofereceram nenhum “melhor lugar”. E eu não sou uma mulher?

Olhem para mim. Olhem para meus braços! Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. E eu não sou uma mulher? Eu poderia trabalhar tanto e comer tanto quanto qualquer homem – desde que eu tivesse oportunidade para isso – e suportar o açoite tão bem quanto! E eu não sou uma mulher?

Eu pari treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu chorei o meu luto de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E eu não sou uma mulher?

Daí eles falam dessa coisa na cabeça; como eles chamam isso mesmo…? [alguém da audiência sussurra, “intelecto”). Intelecto, isso mesmo, meu bem. O que é que isso tem a ver com os direitos das mulheres e dos negros? Se o meu copo não tem mais que um quarto, e o seu está cheio, não seria mesquinho da sua parte me impedir de completar a minha medida?

Aí vem aquele homenzinho de preto ali dizer que mulheres não podem ter os mesmos direitos que os homens porque Cristo não era mulher! De onde o seu Cristo veio? De onde o seu Cristo veio? De Deus e de uma mulher! O homem não teve nada a ver com isso.

Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça para baixo sozinha, todas estas mulheres juntas aqui devem ser capazes de colocar ele pra cima de novo.

E agora que elas estão querendo fazer isso, é melhor que os homens deixem que elas façam.
Obrigada por me ouvirem, agora a velha Sojourner não tem mais nada a dizer.

 

Eu gosto de pensar que naquela igreja e naquele púlpito, Sojourner Truth se sentia em casa, aos pés de Jesus, o único que não a abandonou. Com seu discurso “Não sou uma mulher?” ela estava cumprindo o chamado que tinha recebido de Deus.

Ela era uma pregadora e teóloga, talvez não de formação, porque mulheres negras eram proibidas de frequentarem seminários na época, mas de vivência e chamado. E com essa formação Sojourner Truth foi capaz de destruir os argumentos teológicos, heresias e leituras bíblicas machistas que justificariam a inferioridade das mulheres.

Reparem que ela resgata duas personagens bíblicas importantes e sugere uma nova leitura sobre suas histórias. Maria, mãe do Salvador, e Eva, culpabilizada pela entrada do pecado no mundo. Mais do que isso, Sojourner Truth conclama todas as mulheres a consertarem o mundo, proclamando a justiça colocando-o do jeito certo novamente. Que grande evangelista.

Sojourner continuou discursando por muitos anos sobre temas como a abolição da escravatura, direitos das mulheres, sufrágio universal e reforma prisional. Durante a Guerra Civil, ajudou a recrutar soldados negros para a luta a favor da abolição. Em uma ocasião, foi recebida pelo presidente Abraham Lincoln para compartilhar suas convicções, no que ela considerou “cordiais 15 minutos”.

Sojourner Truth faleceu em 26 de novembro de 1883, em sua casa em Battle Creek, Michigan. Foi enterrada ao lado de sua família na mesma cidade.

Sua primeira premissa “Não sou eu uma mulher?” se tornou um lema famoso entre feministas negras até hoje. Mulheres negras de destaque como Alice Walker, Oprah Winfrey, Kerry Washington e Maya Angelou abençoaram o mundo com suas interpretações do discurso.

Angela Davis dedica parte do seu livro “Mulheres, raça e classe” pra explicar a importância desse discuso para contexto da época e a intelectual bell hooks escreveu um livro “Ain’t I a woman?” com título em sua homenagem, caso você queira saber mais sobre os efeitos das contribuições de Sojourner Truth.

A história de Sojourner Truth nos mostra a violência da escravidão e do racismo. Revela o quanto as instituições religiosas incorporaram discursos machistas e racistas durante anos, discursos que causaram apenas prejuízos para o Reino de Deus e para a sociedade.

Mas experiência cristã de Sojourner Truth revela um Cristo que ouve o choro e a argumentação de quem não é ouvida, que se relaciona com nossas dores e é incapaz de compactuar com a violência e opressão aos seus filhos e filhas. Um Deus que muda nomes e histórias, que sustenta mesmo quando as instituições falham.

Que a história dessa heroína da fé ecoe em nossos corações.

 

Queria deixar um agradecimento muito especial à Lewanne Barbosa, que topou o desafio de interpretar os discursos de Sojourner Truth nesse podcast e a você, ouvinte, que chegou até o final.

Muito obrigada por ter lido até aqui e até o próximo Redomascast!


Trilha sonora:

“Go Down Moses” – Louis Armstrong

“No More, My Lawd” – Alan Lomax

Escape Sequence (12 Years A Slave Soundtrack) – Hanz Zimmer

Jim Crow (The Help Soundtrack) – Thomas Newman

I Be So Glad… When The Sun Goes Down – Alan Lomax

Wade In The Water – Fisk Jubilee Singers

Oh Freedom! – The Golden Gospel Singers

Amen, Amen – Child Development Group of Mississippi

I’m Gonna Sing Till The Spirit Moves · Fisk Jubilee Singers

Jesus Is My Only Friend · Fannie Lou Hamer


Referências:

TRUTH, Sojourner. Narrative of Sojourner Truth. 1850. Disponível em: <http://digital.library.upenn.edu/women/truth/1850/1850.html>.

MABEE, Carleton; NEWHOUSE, Susan M. Sojourner Truth: Slave, Prophet, Legend. 1993.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

Entrevista com Nell Irvin Painter, autora de “Sojourner Truth: a Life, a Symbol”. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=ZaAQDyUmbJo&t=48s>. Acesso em 20 de fevereiro de 2018.

Sojourner Truth. Geledés, Instituto da Mulher negra. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/sojourner-truth/>. Acesso em 20 de fevereiro de 2018.

Sojourner Truth Biography. Biography.com website. Disponível em: <https://www.biography.com/people/sojourner-truth-9511284> Acesso em 20 de fevereiro de 2018.

Sojourner Truth. FemBio. Disponível em: <http://www.fembio.org/english/biography.php/woman/biography/sojourner-truth/>. Acesso em 20 de fevereiro de 2018.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 LinkedIn 0 0 Flares ×