FAQ

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Nós achamos que o Projeto Redomas é fácil de entender: reunimos mulheres que querem expor suas vivências dentro dos espaços cristãos para fazer o mundo pensar que algumas práticas estão recheadas de violência. Algumas dessas mulheres escrevem, desenham, fotografam para empoderar* outras mulheres. Por mais simples que seja, ainda existe muita dúvida, confusão, silenciamento e tentativa de imprimir vitimização, seja nos relatos ou nos textos. O mundo não é um bloco monolítico, o Projeto Redomas também não, então esse FAQ (frequently asked questions, perguntas frequentes) serve pra você dar uma olhada nas questões que mais ouvimos por aí e, se ainda restar alguma dúvida, pensar e pesquisar um pouco mais.

*empoderar:  Quanto ao verbo inglês to empower (cuja adaptação dá origem ao verbo empoderar), para além dos sentidos de “autorizar” e de “proporcionar”, ele também significa “promover a afirmação ou a influência”, segundo o dicionário inglês Merriam-Webster Online. O empoderamento de mulheres, é o processo da conquista da autonomia, da auto-determinação. Para saber mais leia o artigo: clique


O que é o Projeto Redomas?

O Projeto Redomas é uma iniciativa de mulheres cristãs protestantes, de várias regiões do país, que tem como fundamento dar voz e visibilidade às mulheres. Queremos empoderar mulheres cristãs. Para isso, escrevemos, desenhamos, fotografamos,  temos um podcast, realizamos estudos e oficinas nos espaços virtuais e em comunidades, além de participar de atividades em parceria. A divulgação desses conteúdos é feita em nosso site e nas redes sociais do Projeto. O tema central do projeto é mostrar que, em muitos espaços cristãos, para além do discurso do amor ao próximo (e à próxima?), existe machismo, sim. E além disso, como podemos trabalhar para que as nossas comunidades se tornem cada dia mais livres dos pecados do machismo e racismo.

 

Como está estruturado o projeto?

O projeto está estruturado em três momentos: i) Divulgação de relatos anônimos de mulheres que passaram por vivências machistas nos espaços cristãos e toparam compartilhar essas histórias para gerar discussão. Esse movimento não é novo e tem tomado força a partir das redes sociais. Acreditamos que projetos como o Redomas servem como uma ferramenta agregadora em lutas específicas e como ponto de partida, não só para discussão, mas também como algo que pode te aproximar de ideias que mudem a forma de ver o mundo, além de te fazer pesquisar, se aprofundar e estudar mais. Para rever os discursos que ouvimos e reproduzimos sem pensar. ii) O segundo momento do Redomas é juntar um grupo de mulheres para escrever sobre as questões que circulam o tema “direito de mulheres”: machismo, violência, gordofobia, racismo, gaslaistear, entre outros. Os textos servem para empoderar, gerar reflexão pessoal e tem sido utilizados presencialmente para discussão em grupo. iii) O terceiro momento do Redomas é o mais prático. Somos pioneiras e estamos produzindo materiais, além de participar e promover rodas de conversas, oficinas e debates em universidades e comunidades cristãs.

 

O Redomas é um projeto feminista? As mulheres que escrevem são feministas?

O feminismo é um movimento político multifacetado e variado. O Redomas é construído por um conjunto de organizadoras e colaboradoras que também é múltiplo. Todas as organizadoras do projeto se autodeclaram feministas, cada uma participando de um espectro desse tal feminismo. As colaboradoras também tem essa multiplicidade e algumas são feministas e outras não. A carteirinha do feminismo não é exigida para participar e apoiar o Redomas. Você só precisa acreditar que mulher é gente. Sempre preste atenção nas descrições das autoras que estão no final de cada texto.

 

Todas as organizadoras e colaboradoras são alinhadas ideologicamente da mesma forma (linha teológica, denominação, feminismo, política, etc)? Todas concordam com tudo que é publicado no Projeto?

Não. O Projeto Redomas é plural, isso significa que mantemos muitas coisas em tom de diálogo e não de verdades absolutas. As mulheres que escrevem para o projeto são diferentes entre si mas têm em comum o desejo de falar sobre ser mulher cristã de maneira honesta, denunciar as injustiças e visibilizar as histórias de mulheres (do passado e de hoje). É muito difícil – quase impossível se não houver imposição violenta – encontrar um grupo onde  pessoas concordem 100% em todos os aspectos, que dirá falando de temas como bíblia, gênero, raça, etc. mas, o que priorizamos no Projeto Redomas é o diálogo que não incita a violência, as vozes que não foram ouvidas e as histórias que precisam ser contadas.

 

Ser feminista ou discutir sobre gênero e feminismos vai me levar pro inferno?

Miga, não. Foca em Jesus.

 

Apenas por ter nascido homem eu já sou machista e agressor de mulheres?

Acreditamos que os homens estão inscritos em um mundo em que o padrão normativo é o masculino heterossexual branco. Todos os discursos que ouvimos a vida inteira tentam encaixar as pessoas neste padrão ou o utiliza como referência para dizer às mulheres o que elas são e como devem agir. Nossa sociedade, estruturada dessa forma, faz com que os discursos machistas circulem tão “naturalmente” que crescemos pensando que sim, algumas atitudes estão corretas e são imutáveis. Por causa disso os homens são privilegiados. O Redomas nasceu para mostrar que alguns comportamentos machistas devem ser percebidos e nomeados como tal para serem eliminados de nossas práticas como pessoas cristãs. Além das atitudes racistas, homofóbicas e de outros tipos de violência. Você não é um agressor de mulheres apenas por ser homem ou ter nascido homem, mas inscrito nesse discurso, deve ouvir mulheres quando elas dizem que a piadinha, a fala e o tratamento são sim uma agressão. Que tal refletir, pedir desculpas, mudar e incentivar outros homens e fazer o mesmo?

 

Esse projeto tem fundamento bíblico?

Sim. Acreditamos que pensar que mulheres são gente, dar voz e visibilidade a elas, lutar contra a violência e promover discussões para que haja mudança no mundo e lutar contra injustiças são atitudes obrigatórias de pessoas cristãs e tem fundamento bíblico. “Erga a voz em favor das que não podem defender-se, seja a defensora de todas as desamparadas.” (Provérbios 31, 8).

 

Qual o fundamento dos relatos? Por que essas meninas que dizem ter sofrido machismo não fizeram como está escrito em Mateus 18.15-17?

Em Mateus, no trecho mencionado, fala que se não resolver quando tratado pessoalmente, não tratado quando com mais dois é pra levar à igreja (a igreja invisível também é igreja), e se também não resolver, é pra tratar como um descrente. Começando do zero. Ensinando da necessidade do arrependimento e oferecendo o amor de Deus. É o que tá sendo feito. Não é um mal isolado, é um mal que tá instaurado na sociedade e na comunidade cristã de modo geral e estruturado, então deve ser tratado assim. O texto mencionado continua falando que tudo o que dizemos uns para os outros é eterno. Que um sim na terra é um sim no céu, um não na terra é um não no céu. Nossa oração é que SIM, as mulheres devem ser ouvidas sobre suas dores e que o machismo e sexismo que existe em nossa sociedade SIM deve acabar. “Quando dois ou três de vocês concordam com algo e oram por isso, meu Pai que está no céu entra em ação. E, quando dois ou três de vocês se reunirem por minha causa, não tenham dúvidas de que estarei ali.” Temos plena convicção que Jesus está conosco, que estamos cumprindo o mandamento dele de amor ao próximo e cuidado e que ele já está ouvindo nossas orações. Nesse tempo de caminhada, já vimos frutos do Projeto Redomas, pela graça de Deus. Assim como as/os profetas falaram e gritaram em público nas cidades sobre seus pecados e que precisavam de arrependimento e precisavam se voltar para Deus, nós estamos fazendo. E estamos fazendo em amor, porque acreditamos no poder transformador do amor de Deus e do Espírito Santo. Não estamos apontando o dedo na cara de ninguém, se fosse assim colocaríamos os nomes, estamos apontando o dedo na cara do pecado e mostrando o que deve ser examinado. Os conteúdos publicados fazem exortações que são para todos, homens e mulheres. Vamos ouvir os que sofrem e o que Deus tem a dizer sobre isso.

 

Os textos do Redomas não deveriam todos ter um fundamento bíblico?

Não. Apesar de todas as autoras serem cristãs protestantes, sabemos que muitas das coisas que propomos para pensar extrapolam nossa bolha de fé. As autoras tem autonomia para escrever e optam por inserir discussões com fundamentos bíblicos ou não. Temos uma equipe de editoria que revisa os textos e elimina a oralidade, mas não interferimos nem censuramos as autoras. Acreditamos na integralidade do evangelho e sabemos que ele é central em nossos textos, práticas e vivências de fé, sem estar explícito ou sem referenciar diretamente uma passagem bíblica. Temos uma seção chamada BÍBLIA em que são propostos estudos bíblicos sobre essa temática e neles é possível encontrar mais material pra quem quer fundamento bíblico. Recomendamos também pesquisar um pouco sobre teologia da libertação, teologia da missão integral e teologia feminista.

 

Gosto do Redomas mas não concordo com algumas coisas que estão escritas, o que faço?

O que há de melhor em discordar de coisas que são diferentes daquilo que você acredita é que isso te incentiva a pensar no que você defende, a ouvir outras pessoas e a dialogar. Junte seus iguais e monte seus projetos também, estejam juntas por alguma causa. Criem.

 

O Projeto Redomas promove eventos presenciais (congressos, encontros, grupos de estudo/discussão, etc)?

Ainda não. É claro que seria muito legal e interessante para nós poder viver e proporcionar esse tipo de experiência para outras pessoas mas no momento é praticamente inviável devido a situação não ideal que nos encontramos em equipe: em dedicação parcial e voluntária a esse trabalho (adicionando também o fato da equipe estar espalhada pelo Brasil). Planejar e organizar eventos são trabalhos extensos e intensos para os quais ainda não temos condições de realizar. No entanto, nada impede você e seu grupo local de mulheres de fazerem encontros, utilizarem os materiais que disponibilizamos para discussão e estudo. E se fizerem, mandem fotos e a divulgação para publicarmos na página, vamos ficar felizinhas 🙂

 

O Redomas recebe financiamento de alguém?

Não. Tanto as pessoas da equipe quanto as colaboradoras participam de forma voluntária. Mas estamos abertas a pensar em participar de projetos e captar recursos para a produção de materiais. Para isso, investimentos são bem vindos.

 

Qual é a relação entre Projeto Redomas e ABUB?

O Projeto Redomas tem seu surgimento relacionado à ABUB mas não é uma iniciativa dessa instituição. Ele surgiu num evento regional, idealizado a partir de uma conversa entre mulheres que faziam e/ou fazem parte do movimento, para denunciar situações de machismo que ocorriam em eventos e entre os participantes (como ocorre em outras missões, igrejas, etc). Apesar de muitas das colaboradoras que passaram e ainda passam por aqui estejam envolvidas com a ABUB em algum nível, este projeto surgiu de uma iniciativa coletiva, de mulheres (maioria universitárias na época) e de forma independente. Rapidamente, notamos que as denúncias ultrapassam o espaço de uma única instituição e que havia muito mais para ser dito, ouvido e feito. Sendo assim, atualmente o Projeto Redomas não tem parceria com ABUB e com nenhuma outra instituição.

 

Como entro em contato com vocês?

Na nossa página Contato existe um formulário que você pode preencher. Você também pode nos encontrar no Facebook, Instagram, Twitter e e-mail (contato@projetoredomas.com).

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