2 anos de Projeto Redomas

“minha ciranda não é minha só

ela é de todas nós

a melodia principal

quem guia é A Primeira Voz

pra se dançar ciranda

juntamos mão com mão

formando uma roda

cantando uma canção”

[lia de itamaracá, cirandeira pernambucana]

 

 

a roda é uma composição feminina: dos feitiços, das conversas, da ciranda. para dançar ciranda é preciso ser um coletivo que se junta pelas mãos, que se organiza compassando os pés ao som de um ritmo e de voz. não é necessária nenhuma técnica porque é dança que se aprende junto, pisando forte como uma pulsação. a voz que guia a ciranda é feminina e a roda comunitária não exclui ninguém, não é exclusiva dos pares. se a ciranda fica grande demais, é mais difícil dançar, então uma roda menor se forma por dentro e o ritmo recomeça. todas se olham e sorriem, a pulsação continua, os braços se levantam. não há limite para a dança, você pode entrar e sair quando quiser. a roda da ciranda é liberdade.

o redomas é um projeto dançante.

nossa ciranda começou pequena e hoje já é um coletivo de vozes promovendo discursos de igualdade para as mulheres, dentro e fora das instituições religiosas. começamos sendo uma voz de denúncia, ao mesmo tempo que nos empenhamos em ouvir e replicar histórias de mulheres que pareciam estar presas em estruturas que as faziam calar. nos sensibilizamos e utilizamos a história dessas mulheres como motivação para promover ações que transformou o redomas em uma grande roda.

hoje temos orgulho de dizer que, nesses dois anos, o projeto dançou ao som de dezenas de textos produzidos por mulheres que escreveram sobre sua existência como mulher e seu exercício de fé, sua relação com o divino. temos um compilado de estudos bíblicos sobre aquelas que nunca são acessadas nos púlpitos (e até em nossas próprias bíblias), produzimos um podcast que é um espaço seguro para discutir, debater e compartilhar conhecimento a partir de um ponto de vista feminino e que promova igualdade, temos semanas temáticas que incomodam porque tocam em feridas que antes eram escondidas. paulatinamente, o projeto redomas foi enegrecendo e inserindo nas discussões aquelas que são consideradas menos mulheres que as outras – as negras – e assumiu o compromisso de expandir as discussões para lutar contra o racismo. com arte, o redomas poetiza a denúncia, promove arte-política, estabelece uma metodologia que é referência. nestes últimos anos, além do ativismo virtual, o projeto tem participado de eventos presenciais, palestras, oficinas e pautado debates para aproximar outras mulheres da roda.

quando mulheres se juntam para dançar é assim. são dois anos de projeto redomas e queremos agradecer a cada pessoa que acredita no projeto, que contribui, que divulga, que ora, que colabora, que doa seu tempo, seus textos, seu dinheiro, que se motiva a falar e dar voz para outras mulheres.

 

nós da equipe do projeto redomas tivemos nossa visão de mundo, nossas vidas e das nossas famílias modificadas completamente nos últimos dois anos. e isso só foi possível porque, numa conformação em roda, podemos ouvir e ver outras mulheres, compartilhar suas histórias e nos enxergar nelas, dançando juntas na ciranda. só assim nos aproximamos cada dia mais da igualdade promovida por jesus.

 

queremos seguir dançando por muito tempo ainda, pois a ciranda sempre foi para todas e quem guia o ritmo é a Primeira Voz.