Sara, a mãe de muitas nações

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Tenho um carinho muito grande por Sara. Numa época importante da minha vida Deus usou o nome dela pra falar ao meu coração e, desde então, sempre que eu o escuto, ou quando alguém fala sobre ela, meu coração fica quentinho. As promessas de Deus emergem aqui dentro de mim.

Sara era uma incógnita pra mim, quando me contavam sua história eu a via como uma coadjuvante, um meio para um fim: a mulher que deu à luz o filho prometido de Abraão. Abraão brilhava mais quando a história deles era contada no púlpito, ou na escolinha dominical.

Foi Abraão quem recebeu uma promessa. Foi com Abraão que Deus fez uma aliança. Foi Abraão o escolhido. Foi Abraão…

Ou não.

Imagino que Sarai tenha casado cedo. Deixou sua família, foi morar com a de Abrão e viveu com eles por alguns anos. Morou em Ur e Harã, até que Abrão foi chamado por Deus para ir à Canaã.

“Então o Senhor disse a Abrão: “Saia da sua terra, do meio dos seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção.” – Gênesis 12:1,2

Aos 65 anos, Sarai ouviu que Deus prometeu a seu marido uma “descendência tão numerosa como o pó da terra” (Gn 13:15) porém ela era estéril. Naquela época, gerar filhos era motivo de muito orgulho para uma mulher, demonstrava que as bençãos e o favor de Deus estavam sobre ela. Uma família numerosa era considerada uma grande alegria. Muitos herdeiros significava que o nome da família viveria por muitos anos. A esterilidade dizia que ela não era suficiente.

“Mas Abrão perguntou: “Ó Soberano Senhor, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco?” E acrescentou: “Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!” Então o Senhor deu-lhe a seguinte resposta: “Seu herdeiro não será esse. Um filho gerado por você mesmo será o seu herdeiro”.” – Gênesis 15:2-4

Passam 10 anos e Sarai permanece estéril. Mulheres que não podiam ter filhos eram conhecidas como “galhos secos”, pois não havia perspectiva para “frutificar” a família. Muitas vezes eram humilhadas, rejeitadas ou, simplesmente, trocadas por outra. No caso de Sarai, ela mesma oferece sua serva Hagar para “formar família por meio dela” (Gn 16:2).

Mas esse não era o plano de Deus.

Deus só iria cumprir sua promessa a Abrão através da vida de Sarai.

Sarai também foi escolhida.

Em várias passagens da Bíblia encontramos situações em que Deus renomeia pessoas e, na maioria das vezes, a mudança acontece no ponto de virada, naquele exato momento do antes e depois. Nome tem a ver com identidade, com chamado, com mudança de caráter.

“Quando Abrão estava com noventa e nove anos de idade o Senhor lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus Todo-poderoso; ande segundo a minha vontade e seja íntegro.
Estabelecerei a minha aliança entre mim e você e multiplicarei muitíssimo a sua descendência”.
(…)
Estabelecerei a minha aliança como aliança eterna entre mim e você e os seus futuros descendentes, para ser o seu Deus e o Deus dos seus descendentes.
(…)
Disse também Deus a Abraão: “De agora em diante sua mulher já não se chamará Sarai; seu nome será Sara. Eu a abençoarei e também por meio dela darei a você um filho. Sim, eu a abençoarei e dela procederão nações e reis de povos”.” – Gênesis 17:1-2,7,15-16

Deus decide mudar o nome de Sarai. Agora ela tem um novo nome, um novo chamado para si. Sara e Sarai têm o mesmo significado: princesa ou realeza. Nesse caso, sua identidade não muda, mas seu status na aliança, sim. Ao renomeá-la, Deus deixa claro que quer que ela faça parte do seu projeto como indivíduo, não somente como esposa de Abraão. Não é mais uma promessa feita ao seu esposo da qual ela participa, é uma promessa feita a ela, na qual ela pode confiar.

Mais um ano e Sara, aos 90 anos, dá à luz a Isaque.

“Pela fé, Abraão — e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade — recebeu poder para gerar um filho, porque considerou fiel aquele que lhe havia feito a promessa.” Hebreus 11:11

Com o passar do tempo, descobri que Sara não foi coadjuvante, ela foi convidada para exercer um papel insubstituível na aliança de Deus com seu povo. Ela não só gerou e carregou o filho da aliança, ela protagonizou o início da linhagem humana de Cristo aqui na Terra (Rm 9:5).

“Voltarei a você na primavera, e Sara, sua mulher, terá um filho.” – Gênesis 18:10

Pela fidelidade de Deus, a mulher de “galhos secos”, gerou frutos na primavera.
Pela fidelidade de Deus, a mulher estéril tornou-se mãe de muitas nações.


Gabê Almeida é cristã, casada com Guilherme Match, designer e louca das séries. Acredita que toda mulher tem uma voz que gera vida.

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